Mundial Trail 2019 com Lúcia Magalhães

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Mundial Trail 2019 com Lúcia Magalhães

DATA DA POSTAGEM: 01/07/2020

Todo atleta de alto rendimento sonha em participar de provas como olimpíadas e mundial, pois elas reúnem os melhores atletas do mundo proporcionando as maiores disputas. No trail running, as provas mais desejadas são: o circuito UTMB, este que é visto como as olimpíadas da corrida de montanha; o mundial de trail running; e o mundial de skyrunning. Existem outras provas e circuitos cobiçados, mas de fato, participar de qualquer uma destas três provas significa que você lutou muito para chegar até ali e terá de batalhar mais ainda para conquistar uma boa colocação neste tipo de prova. Em 2019 tive o privilégio de ser convocada para integrar a seleção brasileira no mundial de trail running em Portugal. Para uma pessoa que fez esporte a vida toda, que sempre gostou de competir e que escolheu trabalhar com o esporte, não existe nada mais gratificante do que representar o seu país em um mundial.


Faltando um mês para a prova resolvi usar uma tornozeleira no pé direito para testar se ela me ajudava a torcer menos o tornozelo, e acreditem, acabei por machucar o metatarso. Quando fui ao fisioterapeuta, ele disse que parecia uma fratura por stress e sugeriu que eu poderia nem largar para a prova. Mas os exames revelaram apenas uma inflamação, então a possibilidade e o sonho de realizar a prova retornou. A orientação foi parar de correr até a prova, então passei a alternar treinos de natação, bicicleta e musculação além das seções de fisioterapia durante as três semanas seguintes. A quarta semana foi a da viagem, e chegando em Coimbra fiz algumas rodagens leves para testar o pé e felizmente não senti nada.


No dia da prova a incerteza era grande, não costumo ficar insegura em largadas, porém com um mês sem nada de corrida eu já não sabia mais como seria meu desempenho, ou se meu pé voltaria a inflamar e doer durante a prova. Então resolvi largar de forma mais tranquila e conservadora e ver o que me aguardava no decorrer da disputa. Ao longo do trajeto pude perceber que meu pé estava bem, mas o corpo era que não estava tão bem treinado para o nível e tipo de prova que estava participando. Fiz a prova administrando em alguns momentos, para não quebrar totalmente, e em trechos onde tenho mais facilidade pude apertar o ritmo. Apesar de a prova ter ocorrido na europa, achei alguns trechos do percurso muito semelhantes às trilhas do Brasil, com florestas mais fechadas, raízes e pedras tornando o terreno um pouco mais técnico.
 

Cruzei a linha de chegada bem cansada depois de travar diversas disputas ao longo do percurso, e com isso percebi que não estava em minha melhor forma. Cheguei em 78ª colocação entre as mulheres e a segunda brasileira. Não achei que foi uma ótima colocação no geral, mas fiquei muito feliz em saber que posso desempenhar melhor em uma próxima oportunidade, além do que estar entre as 100 melhores do mundo não é nada mal, mas dá para melhorar.

Sempre dá!