Em busca do meu “velho eu”
Karen Kornilovicz
07 de novembro de 2017

Por Karen Kornilovicz


Sinto um frio no estômago ao lembrar do meu último treino de tiros, em julho. Eram 12 de 400 metros. Aquela pontadinha na perna esquerda que há algum tempo vinha me incomodando me fez jogar a toalha. Manquei da pista do Parque do Ibirapuera, em São Paulo, até o meu carro e – finalmente – agendei um ortopedista com urgência.

O diagnóstico da ressonância foi o pesadelo de qualquer atleta: periostite, vulgarmente conhecida também por canelite. E aí começou o meu calvário. Gelo, medicação oral por uma semana, nada de esporte e muita fisioterapia.

Nas primeiras semanas até a musculação foi suspensa. Pedal? Nem pensar. Duas sessões de fisioterapia do esporte espartanamente cumpridas durante três intermináveis meses. Aos poucos fui sendo liberada para musculação, depois para suaves caminhadas e pedaladas, e, há questão de três semanas, finalmente, para trotes leves.

Nesse meio tempo passaram-se 90 dias. Parece pouco, mas o impacto na minha vida foi tremendo. Além do condicionamento físico, perdi também um pouco da minha força de vontade, do pique de treinar e da força mental.

Aliás, nessa torturante retomada o bicho está pegando mesmo é na minha cabeça. Fico pensando em como corria antes e como estou me arrastando agora. Desanimador. O corpo parece estar desconjuntado. Os movimentos de braços e pernas parecem não se encaixar. A cabeça convida para parar. E, algumas vezes, confesso, o corpo tem cedido a esse convite tentador.

Nesse processo de reencontro com o meu velho eu o apoio dos amigos tem sido fundamental. Mas, no fim das contas, só quem pode me ajudar sou eu mesma.

Sinto saudades da velha Karen que acordava para os longões antes mesmo de o despertador tocar. Que não pulava um treino sob nenhuma hipótese. Que curtia fazer musculação. Que tinha uma mente inabalável. Ela está aqui dentro de mim escondidinha em algum lugar ... e aguardando para ser resgatada.

Partiu em busca do meu velho eu......