VK, overdose de montanha
Valmir Lana Jr.
30 de outubro de 2017

Por: Valmir Lana Jr.


Não há outra forma de explicar minha experiência com o VK, sentir o gosto de sangue na boca e as pernas queimarem até o ponto de não obedecerem os estímulos, sentir o coração no pescoço e ter certeza que irá vomitar a qualquer momento. Sim, parece um flerte com a morte e isso me fez mudar de pensamento sobre até onde podemos dar aquele 1% a mais!

Mas muitos devem estar se perguntando o que é VK, afinal?! (Vertical Kilometer) ou Quilômetro Vertical, agora fica mais fácil imaginar sobre o que estou falando!

Trata-se de uma competição muito singular e bastante conhecida no velho continente, onde temos, inclusive um campeonato mundial, regulamento e uma federação internacional (ISF).

Esta federação está com sua representação no Brasil com a ISF – Brasil, a qual chegou neste ano com uma prova homologada, Ultramaratona dos Perdidos, mas ainda não tivemos uma prova de VK homologada.

Estive no RJ no mês de outubro com alguns amigos para participar de um evento muito esperado por mim, a Cani Epic Trail, um percurso que seria de 55km com 4000m de ganho positivo, saindo do Parque Lage, percorrendo os 5 picos da Tijuca, incluindo a subida ao Cristo, porém, infelizmente o percurso foi alterado por motivo de segurança e fizemos 26km com 2000m de ganho positivo.

Imagine um percurso com 90% single track bem técnico com o visual do RJ e muuita subida. Uma típica prova SkyRunning, organizada com maestria por Rafael Aquino, médico paraense que faz sua residência no Rio e só em 2017 participou de 8 provas sky e VK na Europa.

No dia seguinte a estes 26km (2000m D+) participei do meu primeiro VK, na verdade (Meio VK), pois nosso percurso era de 1,4km com 500m D+ e o que caracteriza o VK é ascensão de 1000m D+ em, no máximo, 5km de extensão.

A largada é bem interessante e um contrassenso intrigante, cada atleta larga 1 minuto após o outro e os mais lentos largam primeiro, o legal é que desta forma, poucas ultrapassagens acontecem, pois quem vai logo a sua frente, teoricamente, é um pouco menos rápido que você, então fica difícil tirar a diferença e assim ninguém atrapalha ninguém e todos se divertem e sofrem juntos!!! Rsrsrs...

Mais uma particularidade nesse tipo de competição, se a pessoa atrasar para largar, o tempo dele começa de qualquer jeito e mesmo se ela não comparecer, o próximo atleta tem que esperar o tempo do faltante para poder largar, ou seja, dá-se a largada para um, espera um minuto para o faltante e espera mais um minuto para o próximo partir.

No fim de muito esforço, encontramos corpos jogados ao chão exaustos e nos jogamos também destruídos. Aos poucos assistimos os outros atletas chegarem e no solo encontrarem seu repouso... uma coisa é certa, se chegar e não se jogar no chão é porque não fez o seu melhor!

A conferência dos tempos também é emocionante, pois não sabemos quem vence até a conferência e, nesta experiência, eu fiquei 11seg atrás de Francisco Ottoni, amigo pessoal e companheiro de time, o qual fechou a prova em 23min03seg. Recorde a ser batido no ano que vem.

A partir de agora, estaremos MUITO ligados a este novo mundo Sky e esperamos que este novo esporte que envolve corrida e montanha se torne tão popular no Brasil quanto é na Europa.

Cabe a nós esta tarefa! Quem topa???