Você está disposto a pagar o preço?
Karen Kornilovicz
03 de julho de 2017

Por: Karen Kornilovicz


É bárbaro bradar aos sete ventos que você vai disputar uma prova de resistência de 50 km, 80 km ou mais. Melhor ainda é observar o olhar assustado de quem fica sabendo dessa sua nova peripécia. Você se sente praticamente um super-humano.

Bom né? Hum.... numas. Em tempos em que correr uma maratona ou ultramaratona virou moda e as longa distâncias foram completamente banalizadas muita gente bate no peito, se sente superpoderoso porque vai correr uma ultra e ... quebra.

Quem já não quebrou em uma prova que atire o primeiro tênis. Mas uma coisa é quebrar porque errou na estratégia. Outra bem diferente é quebrar porque não estava preparado para correr aquela distância. E lá na montanha, numa prova longa, estar preparado – física e psicologicamente - é fundamental.

Quando corri minha primeira maratona (2011) abracei a causa que virou o projeto número um da minha vida: emagreci 12 kg, realizei 99% da minha planilha, mantive uma rotina de sono sensacional e suplementei espartanamente. Corri feito a filha do vento. Continuei fazendo isso pelas maratonas e ultramaratonas subsequentes, mas abrindo cada vez mais espaço para as exceções.

Até que paguei o preço na KTR Ilhabela em novembro do ano passado. Pesada e sem estar suficientemente treinada para encarar os difíceis 20 km, chorei lágrimas de sangue subindo o Baipi. Cheguei ao El Origen 2017, na Patagônia, em março, bem melhor, mas ainda longe do meu ápice.

Digo longe porque para atingi-lo novamente terei que abrir mão de muitas coisas. Não existe conquista sem sacrifício (Dã ...). As exceções terão que ser o que elas significam: exceções apenas. A minha vontade de treinar terá que ser maior do que a minha preguiça. Meu desejo de comer uma couve-flor precisará superar a minha vontade de cair de boca em uma trufa de chocolate.

Por muito tempo achei que não precisaria abrir mão de alguns prazeres mundanos para continuar competindo em provas de resistência. Ledo engano. Por mais que se você se esforce em compatibilizar esses dois mundos não tem jeito. Muitos sacrifícios serão exigidos, mesmo de quem, como eu, não tem pretensão nenhuma no esporte, a não ser terminar bem as competições.

Tento não pensar no que deixarei de comer ou de fazer nos próximos meses, mas nos ganhos que esse projeto me trará. E para garantir que esse plano seja executado me inscrevi em duas provas exigentes: meia-maratona Caminho do Mar e Desafio das Serras.

E aí, você está disposto a pagar o preço?